Livro Bruno Dunley

A trajetória artística de Bruno Dunley inicia-se com a sua participação no Grupo 2000e8, importante grupo de jovens artistas pintores. Seus trabalhos partem de imagens encontradas e de uma análise da natureza da pintura na qual códigos linguísticos, como o gesto, o plano, a superfície e a representação, são compreendidos como um alfabeto, um vocabulário compartilhado. O trabalho de Dunley questiona a especificidade da pintura, particularmente no que diz respeito às relações entre representação e materialidade.

A publicação, a ser editada pela APC, será a mais abrangente sobre a produção de Dunley. Apresentará cerca de 120 obras, selecionadas desde o início da carreira até seus trabalhos mais recentes. Projeto audacioso do ponto de vista editorial, tem como objetivo oferecer uma aproximação entre artista e leitor para além das paredes do museu ou da galeria de arte.

As obras serão fotografadas a partir de um mesmo ângulo de visão, representado em todas as imagens por uma margem residual de um piso de concreto. A continuidade desse piso configura uma espécie de espaço expositivo linear.

Composto por páginas duplas, o projeto gráfico surpreende pela criação de espaços escondidos que propõem novas relações espaciais para o expectador-leitor, que tem liberdade para estabelecer associações entre as imagens.

A publicação será divida em três seções: a primeira e a última, espécies de introdução e prólogo do livro, apresentarão imagens de referência que trazem um pouco do universo imagético do artista. A segunda parte configura esse grande espaço expositivo não cronológico das obras de Dunley. Nessa seção, fragmentos de diálogo em tom informal, entre o crítico e curador de arte Carlos Eduardo Riccioppo e Bruno Dunley estarão escondidos entre as imagens no interior das páginas duplas, discutindo sobre o processo criativo do artista e questões relativas à arte contemporânea. O diálogo será perpassado, ainda, por fragmentos de uma conversa entre o artista e outros interlocutores: Leda Catunda, Ana Prata, Rodrigo Andrade e Ilê Sartuzi. A sobreposição entre as imagens e diálogos configura interessante polifonia, pano de fundo para a aproximação do leitor com o trabalho de Dunley e com as questões que cercam a pintura e a arte contemporânea.

Projeto em fase de inscrição e captação.